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Dr. Lucas Menezes
Humor

Depressão: sintomas físicos e por que só o remédio raramente basta

O remédio é uma parte do tratamento da depressão, nunca a única.

4 min de leitura

Em 10 segundos

  1. Depressão aparece no corpo: cansaço, dor, sono e apetite alterados.
  2. Cerca de um em cada três tem remissão com o primeiro antidepressivo.
  3. Exercício, sono e investigar causas clínicas fazem parte do tratamento.

Se você pensa em se machucar, ligue 188 (CVV) agora ou procure a emergência.

Depressão: sintomas físicos e no corpo

Você acorda cansado mesmo depois de dormir. As costas doem, a cabeça pesa, a comida perdeu o gosto. Você faz exames e eles vêm normais.

Isso pode ser depressão. Num estudo da OMS em 14 países, 69% das pessoas com depressão chegaram ao médico só com queixas físicas. E 11% negaram sintomas emocionais mesmo quando perguntadas (1).

Os sintomas no corpo mais comuns são (1, 2):

  • Cansaço que não passa com descanso.
  • Sono que muda: demora para dormir, acorda de madrugada ou dorme demais.
  • Apetite e peso que mudam sem motivo claro.
  • Dor de cabeça, dor nas costas, intestino preso.
  • Lentidão para pensar, se concentrar e decidir.

Depressão: sintomas iniciais

No começo, os sinais são discretos. Você dorme pior, sai menos, perde a vontade de fazer o que gostava e fica mais irritado com coisas pequenas.

Para ser depressão, os sintomas duram pelo menos duas semanas, quase todo dia. Um deles precisa ser humor baixo ou perda de prazer nas coisas (2). Culpa exagerada e pensamentos de morte também podem aparecer (2).

O sono merece atenção. Pessoas com insônia têm cerca de duas vezes mais risco de desenvolver depressão do que quem dorme bem (3).

Se você pensa em se machucar, ligue 188 (CVV, 24 h, gratuito) ou procure a emergência mais próxima.

Por que o remédio sozinho raramente basta

O STAR*D acompanhou mais de 3.600 pessoas com depressão em tratamento. Com o primeiro antidepressivo, cerca de 37% entraram em remissão, que é quando os sintomas quase somem (4).

Com trocas e ajustes em até quatro etapas, a remissão somada chegou a 67%. Quem precisou de mais etapas teve mais recaídas depois (4). O remédio ajuda muita gente, mas raramente é a resposta inteira.

Exercício também é tratamento. Uma revisão Cochrane encontrou efeito moderado do exercício sobre os sintomas, menor nos estudos mais rigorosos, e parecido com o de terapia e remédio nos poucos estudos que compararam (5).

Uma meta-análise de 2024, com 218 estudos, mostrou que caminhada ou corrida, ioga e musculação reduzem a depressão. O efeito foi maior quanto mais intenso o exercício (6).

A diretriz inglesa NICE lista exercício em grupo entre os tratamentos da depressão menos grave. Na mais grave, a primeira opção da lista é terapia cognitivo-comportamental junto com antidepressivo (7).

Há também causas no corpo. Quem tem problema de tireoide tem mais chance de ter sintomas depressivos, e a depressão pode vir com alterações discretas da tireoide (8).

O remédio é uma parte do tratamento. Sono, movimento e corpo investigado fazem o resto.

Como o Método CUIDAR olha para isso

Eu chamo de saúde mental interativa: sono, corpo, movimento, relações e remédio conversam entre si. Por isso eu procuro a causa antes de tratar só o sintoma.

Na trilha de humor do Método CUIDAR, o pilar Compreender vem antes da receita. Uso escalas como o PHQ-9 e peço exames de tireoide, ferro, vitamina B12 e vitamina D.

Também pergunto sobre ronco, álcool e fases de energia muito alta, porque isso muda o plano. Cansaço pode ser ferro. Humor baixo pode ser tireoide. Antes de rotular, a gente mede.

Em Individualizar, remédio, psicoterapia, movimento, sono e luz da manhã entram com meta e data para rever, uma frente de cada vez. Em Acompanhar, o que funcionou vira rotina. Qualquer mudança no remédio se combina com o seu médico.

Se você se reconhece aqui, veja como eu cuido de esgotamento, tristeza e humor.

  • Acorde no mesmo horário por 7 dias, inclusive no fim de semana.
  • Pegue luz natural nos primeiros 30 minutos do dia.
  • Caminhe 10 minutos depois de uma refeição, cinco dias nesta semana.
  • Dê uma nota de 0 a 10 para o seu humor no fim de cada dia.
  • Se faz tempo que não faz exames, peça um check-up ao seu médico.

A frase abaixo resume como eu trabalho. Ela fala de participação: o remédio faz a parte dele, e você faz a sua.

Só não melhora quem só toma remédio.

Referências

  1. Simon GE, VonKorff M, Piccinelli M, Fullerton C, Ormel J. An international study of the relation between somatic symptoms and depression. N Engl J Med. 1999;341(18):1329-1335.
  2. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR). Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing; 2022.
  3. Baglioni C, Battagliese G, Feige B, Spiegelhalder K, Nissen C, Voderholzer U, et al. Insomnia as a predictor of depression: a meta-analytic evaluation of longitudinal epidemiological studies. J Affect Disord. 2011;135(1-3):10-19.
  4. Rush AJ, Trivedi MH, Wisniewski SR, Nierenberg AA, Stewart JW, Warden D, et al. Acute and longer-term outcomes in depressed outpatients requiring one or several treatment steps: a STAR*D report. Am J Psychiatry. 2006;163(11):1905-1917.
  5. Cooney GM, Dwan K, Greig CA, Lawlor DA, Rimer J, Waugh FR, et al. Exercise for depression. Cochrane Database Syst Rev. 2013;(9):CD004366.
  6. Noetel M, Sanders T, Gallardo-Gómez D, Taylor P, del Pozo Cruz B, van den Hoek D, et al. Effect of exercise for depression: systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ. 2024;384:e075847.
  7. National Institute for Health and Care Excellence. Depression in adults: treatment and management. NICE guideline NG222. London: NICE; 2022.
  8. Hage MP, Azar ST. The link between thyroid function and depression. J Thyroid Res. 2012;2012:590648.

Leituras curtas, de verdade.

Conteúdo educativo. Não substitui consulta. Em crise, ligue 188 (CVV, 24 h, gratuito) ou procure a emergência mais próxima.