Crise de ansiedade: o que fazer na hora e depois
A crise sobe e desce. Dor no peito sempre merece avaliação.
Em 10 segundos
- A crise de ansiedade assusta muito, mas a crise em si passa.
- Respire devagar, nomeie o que sente e espere a onda baixar.
- Dor no peito ou primeira crise: pronto-socorro para descartar o coração.
Se você pensa em se machucar, ligue 188 (CVV) agora ou procure a emergência.
Crise de ansiedade, que na medicina se chama ataque de pânico, é uma onda súbita de medo intenso, com sintomas fortes no corpo. Assusta muito, mas a crise em si não ameaça a vida, e os sintomas costumam passar com o tempo (1).
Ela dura de poucos minutos a uma hora, às vezes mais (1). O que fazer depende de uma pergunta: isso é mesmo ansiedade, ou o corpo precisa ser examinado primeiro?
Crise de ansiedade: sintomas
Os sinais mais comuns são (1):
- Coração disparado ou batendo forte.
- Falta de ar, sensação de sufocar.
- Dor ou aperto no peito.
- Tremor, suor, calafrio.
- Tontura, fraqueza, mãos formigando.
- Enjoo ou dor de barriga.
- Medo de morrer ou de perder o controle.
Uma crise isolada não quer dizer transtorno de pânico (1, 2). O transtorno aparece quando as crises se repetem e o medo da próxima passa a guiar a sua rotina (1).
Crise de ansiedade: o que fazer na hora
- Diga para você mesmo: "é uma crise, ela sobe e depois desce". Alguns pesquisadores comparam o pânico a um alarme falso do corpo (1).
- Respire devagar, soltando o ar por mais tempo do que puxou. Por exemplo, puxe contando até 4 e solte contando até 6.
- Traga a atenção para fora: nomeie 5 coisas que você vê, 4 que toca e 3 que ouve.
- Se estiver num lugar seguro, fique. Fugir alivia na hora, mas evitar lugares onde houve crise é um dos sinais do transtorno de pânico (1).
- Evite café e energético nas horas seguintes. Em pessoas com pânico, doses altas de cafeína dispararam crises em cerca de metade dos casos (4).
Treinos de respiração lenta reduziram estresse e ansiedade em ensaios clínicos, com efeito pequeno a moderado (3). Funcionam melhor quando você treina nos dias bons, fora da crise.
A crise sobe, chega ao topo e desce. Respirar devagar ajuda você a atravessar.
Crise de ansiedade pode matar? Quando ir ao pronto-socorro
A crise de ansiedade em si não mata (1). Mas dor no peito nunca deve ser chamada de ansiedade sem avaliação. Existe diretriz própria para investigar dor no peito, com exame e cálculo de risco (5).
Num pronto-socorro de cardiologia no Canadá, 1 em cada 4 pessoas com dor no peito tinha transtorno de pânico. E 4 em cada 10 delas também já tinham doença nas coronárias (6). Uma coisa não exclui a outra.
Vá ao pronto-socorro ou ligue 192 (SAMU) quando:
- É a primeira crise, ou a dor é diferente das outras vezes.
- A dor vem com esforço, desmaio ou falta de ar que não melhora.
- Você tem doença do coração, diabetes ou pressão alta.
- Você usou alguma substância antes da crise.
Lá, o esperado são os exames mínimos para descartar um problema agudo no corpo. Depois, o cuidado segue fora da emergência (2).
Se você pensa em se machucar, ligue 188 (CVV, 24 h, gratuito) ou procure a emergência mais próxima.
O que muda no dia seguinte
É comum acordar cansado e com receio de outra crise. Algumas coisas ajudam:
- Volte aos poucos ao lugar e à rotina em que a crise aconteceu.
- Cuide do sono e deixe a cafeína só até o almoço (4).
- Mexa o corpo. A diretriz NICE recomenda falar de exercício com toda pessoa com pânico (2).
- Se as crises se repetem, procure tratamento.
A terapia cognitivo-comportamental é a mais estudada para o pânico e costuma ir melhor que as outras, ainda que a qualidade da evidência seja baixa (7). Remédio também pode entrar. Qualquer mudança no remédio se combina com o seu médico.
Como o Método CUIDAR olha para a crise
No pilar Compreender, eu investigo o corpo antes do rótulo: tireoide, ferro, sono, álcool, cafeína e energético. Palpitação pode ser tireoide. Antes de rotular, a gente mede.
No pilar Desenvolver, você treina respiração lenta e exposição gradual ao que passou a evitar, entre uma consulta e outra. Nenhuma técnica funciona só lida. Ela funciona quando praticada.
Na trilha de humor, o remédio, quando indicado, é uma parte do plano. Se as crises estão mandando na sua rotina, marque uma consulta.
- Treine a respiração lenta por 5 minutos todo dia, fora da crise.
- Salve 192 e 188 nos contatos do celular.
- Escreva num papel "é uma crise, ela passa" e guarde na carteira.
- Anote data, hora, lugar e o que veio antes de cada crise.
Referências
- National Institute of Mental Health. Panic disorder: when fear overwhelms [Internet]. Bethesda (MD): NIMH; 2025 [cited 2026 Sep 28].
- National Institute for Health and Care Excellence. Generalised anxiety disorder and panic disorder in adults: management. Clinical guideline CG113. London: NICE; 2011 [updated 2020 Jun 15].
- Fincham GW, Strauss C, Montero-Marin J, Cavanagh K. Effect of breathwork on stress and mental health: a meta-analysis of randomised-controlled trials. Sci Rep. 2023;13(1):432.
- Klevebrant L, Frick A. Effects of caffeine on anxiety and panic attacks in patients with panic disorder: a systematic review and meta-analysis. Gen Hosp Psychiatry. 2022;74:22-31.
- Gulati M, Levy PD, Mukherjee D, Amsterdam E, Bhatt DL, Birtcher KK, et al. 2021 AHA/ACC/ASE/CHEST/SAEM/SCCT/SCMR guideline for the evaluation and diagnosis of chest pain. Circulation. 2021;144(22):e368-454.
- Fleet RP, Dupuis G, Marchand A, Burelle D, Arsenault A, Beitman BD. Panic disorder in emergency department chest pain patients: prevalence, comorbidity, suicidal ideation, and physician recognition. Am J Med. 1996;101(4):371-80.
- Pompoli A, Furukawa TA, Imai H, Tajika A, Efthimiou O, Salanti G. Psychological therapies for panic disorder with or without agoraphobia in adults: a network meta-analysis. Cochrane Database Syst Rev. 2016;4:CD011004.