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Dr. Lucas Menezes

TDAH

Não é falta de esforço. É um cérebro que precisa de estrutura externa.

Em 10 segundos

  1. É um cérebro que precisa de estrutura externa.
  2. Medir antes de rotular, estruturar antes de cobrar, e construir uma vida que funciona com o cérebro que você tem.
  3. Ponto de chegada: Funcionalidade sustentada, com autonomia

resumo da trilha

O que é a trilha de TDAH

Medir antes de rotular, estruturar antes de cobrar, e construir uma vida que funciona com o cérebro que você tem.

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Desatenção, impulsividade e desorganização em adultos raramente são falta de vontade. A trilha de TDAH investiga o que está por trás e separa o que é TDAH do que é sono, ferro ou ansiedade. Depois, ajuda a montar uma vida que funciona com estrutura, sem culpa.

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento com forte base genética e presente em cerca de 2,5% dos adultos 1. Ele não desaparece na adolescência: muda de forma. A hiperatividade visível vira inquietação interna, e a desatenção passa a custar trabalho, dinheiro, relações e autoestima 1, 11. Grande parte dos adultos com TDAH nunca foi diagnosticada e vive com a explicação errada: preguiça, desleixo, falta de força de vontade.

A trilha começa medindo antes de rotular. Sono, tireoide, ferro, vitaminas, ansiedade, humor, uso de substâncias e telas são avaliados junto com os critérios do DSM-5-TR e com entrevista estruturada 3, 6, 7. Só depois de separar o que é TDAH do que imita TDAH é que o plano é montado. Muita desatenção melhora quando o sono e o corpo são tratados. Quando não melhora, a hipótese de TDAH fica mais forte.

O tratamento segue a saúde mental interativa e vem em camadas. Primeiro, o sono regular, que é pré-requisito. Depois, exercício aeróbico, alimentação com horário e proteína, redução de álcool e maconha, estrutura externa no ambiente, terapia cognitivo-comportamental ou coaching para TDAH adulto e, quando indicada, medicação 1, 2, 6, 18, 22, 25. Cada camada é medida com escalas de sintomas e de funcionalidade.

O TDAH não some, e o fim desta trilha é outro: funcionalidade sustentada com autonomia. Isso quer dizer sistemas externos em uso, rotina que apoia as funções executivas, medicação otimizada e revisada, plano para as semanas de deriva e uma identidade reescrita. Não é preguiça. Nunca foi.

trilha preventiva

Quando a desatenção ainda não é TDAH

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Nem toda dificuldade de foco é TDAH. Privação de sono, apneia, ferritina baixa, hipotireoidismo, ansiedade, depressão, sobrecarga de trabalho e uso intenso de telas produzem desatenção, impulsividade e desorganização que se parecem muito com o transtorno 1, 6, 14. A diferença é que o TDAH começa cedo, aparece em mais de um contexto e persiste mesmo quando o sono e a vida estão em ordem 3.

Para quem não fecha critérios, o mesmo método serve como prevenção e treino de função executiva: dormir em horário regular, reduzir a fragmentação por notificações, estruturar o ambiente, mover o corpo e comer em horários fixos melhoram a atenção de qualquer cérebro 14, 22, 26. Ninguém recebe remédio sem precisar. O trabalho é dar estrutura a quem precisa dela.

Também vale para quem tem traços leves e uma vida que, por enquanto, compensa. Uma mudança de cargo, um filho pequeno ou um período de sobrecarga podem romper essa compensação. Construir sistemas antes da crise é mais barato do que reconstruir depois.

triagem e pré-entendimento

Questionários que dão número ao que você sente.

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A triagem de TDAH em adultos tem três camadas: uma escala rápida de rastreio, uma entrevista diagnóstica estruturada que percorre infância e vida adulta, e medidas de funcionalidade. Rastreio positivo não é diagnóstico. Quem fecha o diagnóstico são a entrevista e o exame do corpo. As escalas abaixo são respondidas antes da consulta e repetidas ao longo dos pilares.

InstrumentoO que medeItensPonto de corteQuando
ASRS-v1.1 (parte A)
Adult ADHD Self-Report Scale, OMS, rastreio de 6 itens
atencao64 ou mais itens marcados nas faixas sombreadas = rastreio positivo 4Pré-consulta e a cada 3 meses
DIVA-5
Entrevista Diagnóstica para TDAH em Adultos, baseada no DSM-5
atencao185 ou mais sintomas de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade na vida adulta, com início na infância e prejuízo em 2 ou mais áreas 7Na consulta de Compreender, quando o rastreio é positivo
WFIRS-S
Weiss Functional Impairment Rating Scale, autorrelato
funcao70Média 1,5 ou mais em um domínio, ou 2 itens com nota 2, ou 1 item com nota 3 = prejuízo clinicamente relevante 8Pré-consulta, retorno do pilar IV e no fechamento
ISI
Índice de Gravidade da Insônia
sono78 a 14 subclínica · 15 a 21 moderada · 22 ou mais gravePré-consulta e a cada retorno
PHQ-9
Patient Health Questionnaire, depressão
humor910 ou mais = depressão clinicamente relevantePré-consulta e a cada retorno
MDQ
Mood Disorder Questionnaire, rastreio de espectro bipolar
humor137 ou mais sintomas no mesmo período com prejuízo moderado ou graveUma vez, antes de qualquer estimulante
AUDIT-C
Rastreio de uso de risco de álcool
substancias34 ou mais em homens · 3 ou mais em mulheresPré-consulta e a cada 3 meses

exames laboratoriais de base

O que o corpo precisa mostrar antes de qualquer conduta.

Pedidos na primeira consulta e revistos no pilar I. Cada pilar acrescenta ou repete exames conforme a etapa.

  • Hemograma e ferro

    Hemograma completo · Ferritina · Ferro sérico e saturação de transferrina

    Ferritina baixa se associa a sintomas de desatenção e inquietação, mesmo sem anemia, e a maior gravidade dos sintomas de TDAH 17. É uma das causas mais fáceis de corrigir.

    Quando: Na entrada. Repetir 3 meses após a reposição.

  • Tireoide

    TSH · T4 livre

    O hipotireoidismo produz lentidão, esquecimento e apatia. O hipertireoidismo produz inquietação, insônia e dificuldade de foco. Os dois imitam TDAH 6.

    Quando: Na entrada. Repetir em 3 meses se alterado.

  • Vitaminas

    Vitamina B12 · Folato · 25-OH vitamina D

    Deficiências se associam a fadiga, lentidão cognitiva e humor baixo, que confundem o quadro de atenção. A linha de base evita atribuir ao TDAH o que é carência.

    Quando: Na entrada.

  • Metabólico

    Glicemia de jejum · HbA1c · Perfil lipídico

    TDAH se associa a obesidade e alimentação desorganizada 1, e alguns medicamentos alteram apetite e peso. A linha de base precisa existir antes de começar.

    Quando: Na entrada e a cada 6 meses.

  • Cardiovascular, antes de estimulante

    Pressão arterial e frequência cardíaca · ECG quando há história cardíaca, sintomas ou história familiar de morte súbita

    Estimulantes e alguns não estimulantes elevam pressão e frequência cardíaca. O uso prolongado se associa a aumento pequeno de risco de hipertensão e doença arterial 2, 21. Medir antes é regra, não exceção.

    Quando: Antes de prescrever. Depois, PA e FC a cada ajuste de dose e a cada 6 meses.

  • Específicos da trilha

    Polissonografia quando há ronco, pausas ou sonolência diurna · Rastreio de substâncias quando o uso é frequente ou o quadro não fecha

    Apneia do sono e uso de substâncias produzem desatenção que não responde a estimulante e precisam ser tratados primeiro 13, 14.

    Quando: Quando os sinais aparecem na triagem ou na consulta.

o fim desta trilha

Funcionalidade sustentada, com autonomia

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Nesta trilha, o fim do método não é remissão no sentido de "sumiram os sintomas". O TDAH é uma condição do neurodesenvolvimento, e a remissão completa e estável ao longo dos anos é a exceção, não a regra: a maioria alterna períodos melhores e piores 30. O tratamento muda o quanto a vida funciona e o quanto ela depende de esforço heroico para funcionar.

Por isso o critério de fim é funcionalidade sustentada com autonomia. Na prática, você usa sistemas externos de organização sem que alguém precise lembrar. A rotina apoia as funções executivas em vez de cobrá-las. A funcionalidade medida por WFIRS ou WHODAS melhorou e se manteve. A medicação, quando usada, está na dose otimizada e revisada. Existe um plano escrito para as semanas de deriva, o uso de substâncias está sob controle e a história que você conta sobre si mesmo mudou.

O que fica depois é manutenção: revisões espaçadas, reavaliação da medicação, e o hábito de reconstruir os sistemas toda vez que a vida muda. O objetivo é manter o que você construiu.

Critérios

  • Sistemas externos de organização (agenda única, listas, lembretes, lugares fixos) em uso há pelo menos 3 meses sem supervisão de outra pessoa.
  • Rotina de sono regular: horário de acordar estável em 6 de 7 dias e ISI abaixo de 8 14, 15.
  • Funcionalidade melhorada e mantida: WFIRS-S sem domínio com média igual ou maior que 1,5, ou WHODAS 2.0 com queda de pelo menos 30% em relação à entrada e estável em duas medidas 8, 9.
  • ASRS-v1.1 com redução de pelo menos 30% em relação à entrada, com sintomas residuais sem prejuízo relevante 4, 5.
  • Medicação, quando indicada, na menor dose eficaz, com PA, FC, peso, sono e apetite dentro do combinado e revisão feita nos últimos 6 meses 2.
  • Plano de semanas de deriva escrito, testado ao menos uma vez e com pessoa de apoio que conhece o plano.
  • Uso de álcool abaixo do corte do AUDIT-C e sem uso de maconha ou outras substâncias como forma de regular atenção ou sono 13.
  • Exercício aeróbico regular em pelo menos 3 dias por semana há 3 meses 22.

Indicadores de chegada

Sintomas de TDAH
ASRS-v1.1 com queda de 30% ou mais e mantida em 2 medidas
Funcionalidade
WFIRS-S sem domínio com média igual ou maior que 1,5, ou WHODAS 2.0 com queda de 30% ou mais
Sono
ISI menor que 8 e horário de acordar estável em 6 de 7 dias
Sistemas em uso
Agenda única e lista de tarefas revisadas em pelo menos 5 de 7 dias, sem lembrete externo
Segurança da medicação
PA menor que 140/90, FC de repouso abaixo de 100 e peso estável, com revisão a cada 6 meses
Substâncias
AUDIT-C abaixo do corte e zero uso de maconha para regular atenção ou sono

Manutenção e prevenção de recaída

  1. Revisão com o Dr. Lucas a cada 3 a 6 meses, com ASRS, WFIRS ou WHODAS e ISI respondidos antes.
  2. Reavaliar a medicação uma vez por ano: dose, necessidade, efeitos colaterais, PA, FC e peso 2.
  3. Revisar os sistemas de organização toda vez que a rotina muda: novo emprego, mudança, filho, curso.
  4. Manter exercício aeróbico em 3 ou mais dias por semana como parte do tratamento, não como extra 22.
  5. Proteger o sono: horário de acordar fixo, luz de manhã, telas fora do quarto 14, 16.
  6. Ativar o plano de semanas de deriva ao primeiro sinal: caixa de entrada acumulando, sono atrasando, tarefas adiadas por 3 dias seguidos.
  7. Manter álcool e maconha fora da lista de ferramentas para dormir, relaxar ou focar 13.
  8. Repetir ferritina e tireoide uma vez por ano, ou antes se a atenção piorar sem explicação 17.

materiais da trilha

Para ler, responder e levar para a consulta.

Este material tem caráter educativo e informativo e não substitui a consulta médica. Diagnóstico e tratamento são decisões do médico, tomadas em conjunto com o paciente.